segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Trava língua

(Augusto Oliveira e Cássio Pontes)

 

Estou tonto
não te esperava
mas que nada
se te queria tanto
no entanto
as palavras
travam a língua
à míngua
na nossa língua
que te aguardava
e não te esperava
por enquanto

um tanto tonto
estou atarantado
engasgado na palavra
que não te esperava
e te esperava tanto
que tanto, que tonto
uma palavra é tanto,
uma surpresa e tanto
e nenhuma palavra
por enquanto
que pudesse dizer o quanto
não te esperava
mas te esperava tanto
há tanto tempo.

Tanto.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

História do Amapá - Noite de Autógrafos


A Amazônia é cortada por muitos cursos d‘água, que umedecem a terra e transportam: pessoas, objetos, notícias e idéias. As experiências vividas nesta vasta região são, portanto, tributárias destas conexões e fluxos, de compulsões internas e externas, de fronteiras móveis e sangrentas. Mas, no processo de invenção da Amazônia, comumente privilegiou-se facetas sedentárias e segmentadas das vivências dos sujeitos.
Assim, o caleidoscópico movimento das populações através da bacia amazônica deu lugar à projeção de dramas localizados como algo plenamente representativo de toda a História da Amazônia. Lacônica, a historiografia da Amazônia começou a sair da sombra de uma história pretensamente nacional — ponta de lança da hegemonia econômica e política de alhures. Fruto de não desprezíveis esforços locais, a primeira História da Amazônia trouxe em seu seio a marca das limitações dos esforços pioneiros.

Talvez, por um longo tempo ainda nos manteremos neste estágio historiográfico — como o arqueólogo, que primeiro
localiza e recolhe os cacos para depois religá-los. Nesta arqueologia dos fatos amazônicos, imensos setores estratigráficos ainda aguardam as hábeis mãos dos pesquisares. Os fragmentos de História do Amapá aqui apresentados possibilitam, de imediato, a construção de uma imagem menos incompleta de nosso passado.
Cada capítulo representa um esforço de liberar das garras do esquecimento um estilhaço iluminador desta imagem. A maioria dos autores deste livro é formada por um grupo de jovens pesquisadores que dialogam com as vanguardas teóricas e com as inquietações de seu tempo. São pessoas insatisfeitas com os efeitos dissolventes da mera busca de modismos, assentada na amnésia social. É na compreensão das heranças históricas locais que estes historiadores buscam o antídoto para os fatores que liquefazem a estrutura óssea dos movimentos sociais.

A obra que agora sai do prelo impressiona pelo seu tamanho e variedade de temas. Ela representa um novo e promissor momento da pesquisa histórica amapaense. Parte dos autores saiu do Amapá para cursar mestrado e doutorado (principalmente) nos centros acadêmicos do Sudeste. A aceitação destes pesquisadores nestes centros indica que aí se fortalece o espírito de hospitalidade em relação a um conhecimento histórico mais multifacetado. Outra parte dos autores é egressa dos cursos de especialização na área de história, atualmente oferecidos aos graduados do Estado. Estes ex-alunos aceitaram o desafio proposto por seus mestres de implodir de vez o mito de que o Amapá é uma terra desmemoriada. Também observamos, do lado de cá, a formação de um amplo público leitor interessado em conhecer a história local. É crescente o descontentamento em relação à falta de um sistemático estudo desta história nas redes estadual e municipais de ensino.
Indo ao encontro de tal demanda, esta coletânea parece ter a vocação de ocupar o lugar de obra de primeira grandeza no estudo de nossa história.

Esta história, no entanto, não é tão amapaense quanto à primeira vista poder-se-ia pensar. Isto porque as conexões sociais hibridizam a experiência local, saturando-a de elementos exógenos. Neste sentido, a invenção do Amapá é resultado de tensas negociações não territorializadas e multilaterais. Nas páginas a seguir, por exemplo, encontramos casos de ressonâncias e apropriações das experiências ocorridas dentro do losango amapaense. Os grandes debates em torno do que ocorria no Amapá, das potencialidades e limitações deste lugar e do que deveria ser feito para o seu desenvolvimento demonstram o recorrente e calculado influxo do pensamento político hegemônico brasileiro na redefinição do futuro dos que aí viviam (e vivem).

O avanço do grande capital e as decorrentes lutas sociais havidas no Amapá igualmente evidenciam as conexões entre o lado de dentro e de fora de uma história que é local sem ser localista. Migrações, relações com o grande comércio internacional, adoção de modelos estranhos ao modo de vida dos autóctones e outros figuram nesta coletânea para revelar uma região prenhe de fluxos e refluxos. Eis o prenúncio de uma nova historiografia da Amazônia.

Portanto, do lado de cá do rio Amazonas, neste pedaço do Brasil chamado Amapá, existem histórias que devem ser construídas e conhecidas para revelar uma imagem mais multiculturalizada deste país. Histórias entronizadas na historiografia brasileira por meio do esforço corajoso e, amiúde, teimoso de pesquisadores que têm enfrentado inúmeros obstáculos. Rompendo silêncios e explorando interstícios, os autores deste livro, mais do que meramente registrar fatos pretéritos (ou fragmentos do passado), desejam que a história (nos dois sentidos do termo) seja outra.

sábado, 17 de outubro de 2009

CULTURA DO AMAPÁ EM FOTOGRAFIAS


Em novembro, lançamento do livro de Ensaios Etnofotogràficos. Bilingue: Portiuguês & Francês.

Aguardem...

domingo, 27 de setembro de 2009

sábado, 26 de setembro de 2009


Lançamento do Livro

Amazônia, Amapá - Escritos de História

Dia 08 de outubro de 2009
Às 19 horas
Centro de Cultura Franco-Amapaense
(atrás do Macapá Hotel)
Preço promocional na noite de lançamento: R$ 30,00.
Várias atrações culturais na noite.
Aguardamos vocês lá!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009


Lançamento do Livro
Amazônia, Amapá - Escritos de História
Dia 08 de outubro de 2009
Às 19 horas
Centro de Cultura Franco-Amapaense
(atrás do Macapá Hotel)
Preço promocional na noite de lançamento: R$ 30,00.
Aguardamos vocês lá!

domingo, 30 de março de 2008

A Trama & a Espiral

A Trama & A espiral
-Augusto Oliveira-

Estamos todos emaranhados nessa trama
Na ponta de um o outro se trança
E quem achar que achou a ponta solta, se engana
Embolados somos nós como nós sem ponta.

E todos mergulhados na espiral do tempo
Inicio e fim ficam bem ali no infinito
E antes que anunciem um final maldito
Beberemos à sede do contentamento
E morderemos à carne do que acharmos bonito